01 maio, 2008

Maio... maduro Maio


Este álbum é do melhor que se fez e faz na música portuguesa em todos os aspectos, desde a qualidade artística e musical, à sensibilidade, integração, significado, história e qualidade sonora a nível de gravação, mistura e masterização.

Não escapa à regra, sendo do melhor que se faz por portugueses, ter sido feito no estrangeiro. Editado em 1971, foi produzido pelo genial José Mário Branco e gravado por Gilles Sallé no Strawberrie Studio, em França.

É perfeito para ouvir num dia como este, quando recordamos as lutas dos trabalhadores e as conquistas de Abril e lamentamos a sua lenta diluição. Mas o Zeca está lá sempre a lembrar-nos que temos que lutar, que Abril vencerá!

Foi deste álbum que foi tocada, na Rádio Clube, a contra-senha da revolução, a famosa Grândola Vila Morena.

Deixo aqui este testemunho de alguém que não consegui identificar ainda, mas que esteve lá no momento da gravação da música "Chamava-se Catarina", homenagem a Catarina Eufémia, mártir do satrapismo fascista:

« Nascido para, como diz a cantiga, "abrir grandes janelas", o Zeca sempre suportou maio fechamento - quer o das ideias, quer o dos espaços.
Das duas vezes que foi a Paris gravar comigo, em 1971 ("Cantigas do Maio") e 1973 ("Venham mais cinco"), nunca ele escondeu quanto lhe desagradava e o indispunha a necessidade de ficar fechado no estúdio durante horas, e quanto ele não gostava nada de Paris nem do ambiente dos portugueses de Paris - hoje entendo como tinha razão.
Porque haveria de ser preciso fecharmo-nos, horas e horas a fio, na tensa clausura de um estúdio de gravações, se o objectivo era precisamente registar os grandes e puros espaços sonoros das suas melodias, a frescura densa da sua voz, a força simples e lírica das suas palavras? As máquinas! custava-lhe aceitar que a "limpeza" e a "verdade" do som só pudessem ser conseguidas, neste mundo sujo e atravancado, por meio das máquinas, das técnicas, do isolamento acústico. Custava.lhe aceitar que, para fazer chegar aos outros as coisas belas e simples que inventava, fosse preciso tanta guerra para reconquistar o silêncio, a página branca, o patamar vazio donde tudo tem que partir.
Assim, por entre mil episódios que atestam o que acabo de dizer, há esse - o da gravação do "Cantar Alentejano" ("Chamava-se Catarina... ") - que testemunhei aquando da gravação das "Can­tigas do Maio", juntamente com a Zélia, o Fanhais, a Isabel Alves Costa, o técnico Gilles Sallé e, naturalmente, o violista Carlos Correia (Bóris). A opção de arranjo foi: só a viola, e a voz do Zeca. Sem rede.
O regime de gravações - tardes e noites - fez que, nesse principio de tarde, fosse a altura de gravar o "Cantar Alentejano", "Vamos a isto, Zeca?", ia eu dizendo, naturalmente preocupado com a factura do estúdio. "Não tens nada para ir metendo?", desconversava ele. Via-se que não estava pronto. "Queres ir me­tendo outras coisas? Faltam vozes no "Milho Verde" e no "Senhor Arcanjo"... E assim ia passando a tarde. "Está bem, vamos me­tendo outras vozes". Mas não se conseguia grande coisa. A alma dele - percebi depois - estava toda no Alentejo, nos olhos de Catarina Eufémia. E, como tantas vezes acontecia, andava no estúdio para cá e para lá, em passos nervosos, como o jovem leão na sua jaula.
Até que, já pela tardinha: "Eu vou até lá fora, olhar para as vacas" - o estúdio era numa quinta apalaçada, no meio dos campos. Desapareceu, uma hora ou duas. Quando voltou já era quase noite. "Vamos gravar a Catarina". O Bóris meteu-se na pequena cabina, para o som da viola ficar isolado da voz. O Zeca, no meio do estúdio, sozinho e às escuras, cantou. Uma só vez. É essa que está no disco.
Nós, os outros, os privilegiados espectadores, estávamos na central técnica, quase todos a chorar incluindo o técnico francês. "Acham que é melhor eu cantar isto outra vez?"
"Não, Zeca, não. Está muito bem assim..." »

29 abril, 2008

Jean Michel Jarre no Coliseu





E o concerto foi um memorável espectáculo audiovisual.

Os sintetizadores vintage soaram maravilhosamente, os efeitos visuais estavam fabulosos e o João Miguel está que parece um rapaz novo.

17 abril, 2008

A Ouvir...


Não se assuste o desprevenido leitor. Se pensava que os meus gostos musicais eram no mínimo estranhos, vai sair daqui a pensar que eles são mesmo aberrantes. Abrindo espaço para o bom Metal, puro, duro e obscuro, temos King Diamond e o seu clássico de 1987 e de todos os tempos: Abigail.

Kim Peterson, nascido dinamarquês, fundou os Merciful Fate em princípios de 80's e viria a seguir carreira a solo após a ruptura do grupo. A sua forma de estar, o seu visual e a sua voz extremamente abrangente, adequam-se perfeitamente ao estilo Black Metal.

Aqui ficam os meus agradecimentos ao insigne chapelista F.S., por me ter, há muitos anos atrás, introduzido neste tipo de música.

15 abril, 2008

Órgão de Tubos do Carmo Recuperado


O órgão de tubos da Igreja das Carmelitas, no Porto (Rua do Carmo, à Praça dos Leões), foi recentemente restaurado e pode ser ouvido numa série de concertos da Temporada Inaugural do Restauro do Órgão.

Trata-se de um instrumento da escola ibérica, facilmente distinguível pelo jogo do Clarim "em chamada", ou seja, os tubos horizontais apontados para a frente, algo que não surge nos instrumentos da escola britânica.

Conta com um teclado de 54 teclas e três pedais e foi construído em 1784 pelo organeiro de Braga, José António de Souza.

Ficam aqui os concertos e recitais da Temporada Inaugural, todos às 16h45m:

26 de Abril - Antoine Silbertin Blanck
10 de Maio - Luca Antoniotti
31 de Maio - João Santos
14 de Junho - Paulo Bernardino
28 de Junho - Giampaolo di Rosa
12 de Julho - Concerto Renascentista da ESMAE

13 abril, 2008

Galandum Galundaina


"An 1996 nace l grupo de música tradicional mirandesa Galandun Galundaina, cul oujetibo de recolher, ambestigar i debulgar l património musical, las danças i la lhéngua de las tierras de Miranda. L grupo fai la lhigaçon antre la antigua geraçon de tocadores i la geraçon mais nuoba, mantenendo la cuntinuidade de la rica tradiçon desta region, que stubo quaije para se perder, durante anhos.

Ls einstrumentos usados, copiados de outros mui antigos, que mantenen l sou aspeto i senoridade, son: gaitas de fuolhes mirandesas, fraita pastoril, çanfona, caixa de guerra, conchas de Santiago, castanholas, pandeireta, etc.

A parte de la música anstrumental, l grupo apresenta un repertóiro de música cun bozes, fieles a las melodies tradicionales, anriquecidas cun timbres, ritmos i harmonies capazes de dar eimoçon i, porque nó, algua modernidade." (cit. do site dos Galandum)


Se não sabeis ler mirandês, aprendei! É um dialecto de Portugal.

Ontem, no Batalha. Festival Intercéltico. Galandum Galundaina. Fabulosos!

Não sei porquê, mas depois de os ouvir, ainda que por pouco tempo, fiquei sem grande vontade de lá ficar a ver o cabeça de cartaz Xosé Budiño. Muito bom e original, com apostas na modernidade da música de raiz tradicional, com DJ, VJ, mas fiquei numa onda mais tradicionalista... E acabei por sair mais cedo, ainda com os Galandum na memória.

12 abril, 2008

D.T. - D.S.O.F.T.M.


Não é fácil encontrar este. Os metalorockprogressivos Dream Theatre, banda de virtuosos absolutos, lembraram-se de prestar tributo a uma das suas maiores influências e fizeram um concerto onde tocaram, integralmente, a obra Dark Side of The Moon, clássico intemporal dos Pink Floyd.

Lançaram-no em CD e DVD em 2006. Recomendadíssimo.

11 abril, 2008

Festival Intercéltico do Porto

Já me esquecia deste! É hoje, dia 11 de Abril, e amanhã, no Cinema Batalha.

Apontamento do site Programa de Festas - Worldpress:

"Nos dias 11 e 12 de Abril, acontece!
No cinema Batalha – Porto – o Festival Intercéltico.
Participam o galego Xosé Manuel Budiño e os irlandeses Beoga (ditos cabeças de cartaz).

Mas temos também os portugueses de Miranda do Douro, Galandum Galundaina, e os portugueses da Madeira, Encontros da Eira.

O festival desenrola-se em dois concertos duplos com os grupos portugueses Galandum Galundaina e Encontros da Eira a assegurar a primeira parte dos concertos.

O grupo tradicional «Encontros da Eira», com 11 elementos, é a face mais visível da Associação com o mesmo nome (ACEE), sediada na Camacha, na Madeira, que tem como objectivos globais a investigação, a recolha e preservação e conservação de usos e costumes daquela região autónoma.

Este grupo, que tem já dez anos de carreira, abre o festival, a 11 de Abril.

Os Galandum Galundaina é formado por Paulo Meirinhos, (voz, bombo, gaita de foles galega e percussões tradicionais), Paulo Preto (voz, gaita de foles mirandesa, sanfona e flautas), Manuel Meirinhos (voz, percussões tradicionais e flautas) e Alexandre Meirinhos (voz, caixa de guerra e percussões tradicionais).

“Música quelossal pertuesa. Bénen de tierras de Miranda. Ye mais que música pertuesa. Ye la fetura raíç dun pobo. Bordai a ouro este nome na bossa memória fixa”.

E os Beoga?

Originária de Country Antrim, a banda nasceu depois duma intensa «jam session» que aconteceu no festival All Ireland Fleadh, em Agosto de 2002.
O som único que apresentam muito deve aos duelos entre os acordeões de Séan Óg Graham e Damian McKee em sintonia perfeita com Eamon Murray (quatro vezes campeão de bodhrán, da Irlanda) e com o pianista Liam Bradley.
Os Beoga foram nomeados em 2005 para o Prémio de melhor banda revelação da música tradicional do seu país.

E Xosé Manuel Budiño (gaita de foles e voz), fecha a primeira noite do festival, acompanhado pelo seu sexteto."

A Ouvir...

Como estávamos na onda da Nutrição, há uns tempos disse-me um amigo que eu tinha grandes probabilidades de apanhar indigestões musicais, porque misturava indiscriminadamente muita coisa.

Verdade. Mas não me importo. Venha a música. Se eu gostar, ouço, e se aprovar, partilho.

Por agora, têm estado nos meus leitores de CD's e LP's estas obras:

Jethro Tull - Songs From the Woods (LP: Chrisalis, 1977)


Getz / Gilberto (LP: Verve (original 1963) reedição)



Incubus - Morning View (CD: Sony, 2001)



Jeff Buckley - Grace (CD: Sony, 1994)



Smashing Pumkins - Siamese Dream (LP: Virgin 1993)





Pronto, fui longe demais, a misturar o disco mais folk dos Tull com a fabulosa bossa-nova do seu inventor, João Gilberto, e do seu grande divulgador, Stan Getz (e que bem que soa esta obra em LP, pois as edições em CD nem aos calcanhares lhe chegam), e depois passando para o rock impecavelmente melodioso dos Incubus neste inspirado Morning View, voltando atrás ao falecido Jeff Buckley e ao seu intimista Grace, e acabando com o meu favorito de todos os tempos dos Pumpkins, o Siamese, em LP duplo, edição especial de vinil cor-de-laranja (aproveitar para pôr os hifens enquanto o estúpido do acordo ortugráfico não os tira).

Divirtam-se!

Blogs de Nutrição

Aos leitores interessados por este assunto, aqui fica o endereço do Blog do Prof. Pedro Graça, que também serve de apontador aos Blogs da cadeira de Comunicação, da Licenciatura em Ciências da Nutrição da FCNAUP.



Uma boa forma de obter bastante informação de uma maneira descontraída e divertida. Let's blog, guys!

Alguns exemplos, para ser mais fácil escolher:

Caramel&Nuts
CSI - Comida Sob Investigação
Chocolate Negro
Rota dos Sabores

Temptation

e muitos muitos mais...

St. Cleve Chronicle

O jornal fictício de 12 páginas que acompanhava o LP "Thick as a Brick" dos Jethro Tull, um fantástico álbum que ainda hoje ninguém sabe bem o que representa, se é que representa alguma coisa, está disponível online ali:


Por muitos considerado um álbum conceptual de Rock Progressivo, o que foi diversas vezes negado por Ian Anderson, por outros uma paródia à realidade ou uma tentativa de acompanhar, na música, o que os Monty Python vinham fazendo no humor no início dos 70's, esta obra prima da música conta com os dois lados do disco tocados em contínuo. A ouvir, sem perder!



10 abril, 2008

Freak show #16


Porque é que, olhando para esta imagem, de repente as palavras "Polka" e "Fun" não ficam tão bem juntas? Os senhores Drifters devem-se ter apercebido disso, mas era tarde demais, já estava o disco editado e a foto a ser tirada...

A Ouvir...

Parece que estão a voltar à boa forma. Interessante...

09 abril, 2008

Gilberto Gil


No Coliseu do Porto dia 19 de Abril. Começa a ser muito concerto bom e pouco dinheiro para bilhetes.

Mas deixo aqui uma letra:

Refazenda

Abacateiro acataremos teu ato
Nós também somos do mato como o pato e o leão
Aguardaremos brincaremos no regato
Até que nos tragam frutos teu amor, teu coração
Abacateiro teu recolhimento é justamente
O significado da palavra temporão
Enquanto o tempo não trouxer teu abacate
Amanhecerá tomate e anoitecerá mamão
Abacateiro sabes ao que estou me referindo
Porque todo tamarindo tem o seu agosto azedo
Cedo, antes que o janeiro doce manga venha ser também
Abacateiro serás meu parceiro solitário
Nesse itinerário da leveza pelo ar
Abacateiro saiba que na refazenda
Tu me ensina a fazer renda que eu te ensino a namorar
Refazendo tudo
Refazenda
Refazenda toda
Guariroba


Foto - Eduardo Barrento

06 abril, 2008

Freak show #15


"man"O war... grande banda Metal. Aqui numa fase mais Conan (o bárbaro) com tendências... er...

03 abril, 2008

Carlos Fausto Bordalo Gomes Dias

Fausto não tem Web Page oficial. Mas um simpático estrangeiro reuniu alguma informação sobre ele aqui.

Porque é que o Fausto não tem página?

FMI

José Mário Branco no seu melhor. O polémico FMI no Youtube, parte 1 e 2.





E tão actual...

Oxygenados


É dia 27 de Abril, no Coliseu do Porto, o concerto da digressão comemorativa dos 30 anos do memorável Oxygene do virtuoso Jean-Michel Jarre. Eu já tenho bilhete!