16 junho, 2007

Corram!


Agora não há desculpas para não apreciarem a velha colecção de LP's. A REGA Research Limited acaba de lançar o seu P1, gira-discos de entrada de gama desta mítica marca britânica. Vem equipado com braço Rega RB100 e célula Ortophon OM5e. O preço ainda não está completamente definido, mas andará à volta dos 270€.

01 maio, 2007

And the Oscar goes to...

Your's truly ganhou um concurso de escrita. Foi do Hificlube e o seu mentor, JVH, disse sobre o texto, o seguinte:

"Eis o texto vencedor, que eu próprio não me importaria de ter assinado: cumpre integralmente o regulamento, é original, sucinto, e a escrita, que, sendo sobre música, utiliza a técnica do leit-motif , é simples, correcta, elegante e fluida. A Arte de escrever pouco e dizer muito."

Passo a reproduzir o texto que me valeu um belo prémio em géneros:


O ar. Coisa sublime pensar que o mesmo ar que respiramos é aquele que nos permite ouvir. Leis da Física à parte, permito-me metaforizar o ar como a escultura do músico e o Hifi como a sua mais sentida homenagem: a imitação.

Só é possível respeitar o trabalho do artista imitando-o o mais próximo da sua essência. Sem tirar nem pôr. É esse o verdadeiro prazer de ouvir música: sentir a proximidade do músico e da sua obra, mesmo que separados por tempo e espaço.

Não se trata só de ouvir. O Hifi coloca-nos num mundo à parte. Situa-nos na realidade tangencial das ideias e emoções da composição. Leva-nos em viagens indescritíveis pelos campos de batalha de 1812 onde, em êxtase, Tchaikovsky faz ribombar canhões. À mente obscura de Mussorgsky, penetrando em quadros de uma exposição. Dos ritmos quentes de Cuba, à coolness do sax de Coltrane.

Neste sentido, o equipamento Hifi é uma orquestra em segunda-mão. Cada cabo, cada célula, cada transístor é um instrumento musical ao serviço da arte e da sua finalidade: tocar as pessoas.

Há fabricantes que entendem esta missão e militam reverentemente pela criação de peças de culto que leiam, amplifiquem e traduzam a magia da música.

Outra Arte não menor é divulgar estas ideias com clarividência. Então, o Hificlube é, antes de mais, um serviço público na demanda do prazer da reprodução musical. E uma referência em termos de qualidade, informação, abrangência de conceitos e independência.

Das ideias aos projectos, das palavras à pureza do som, espero do Hifishow 2007 que seja como uma exposição de Arte. Cada peça, uma obra. Cada sistema, uma interpretação da realidade.

03 abril, 2007

GANHE MUITO DINHEIRO...

...ou pelo menos algum! Se for artista de rua, animador, jogral, palhaço, escultor de balões, músico profissional ou amador, engolidor de fogo M/F, etc..., e estiver sem agenda na terceira semana de Julho, a Comissão de Festas do S. Tomé de Mira contrata! É deixar contacto nos comments!

Oportunidade única de trabalhar, ganhar o money, conviver, apreciar a boa gastronomia e, no fundo, obter uma experiência de vida enriquecedora!

30 março, 2007

Freak show #7

Atenção ao título do magnífico álbum do Nel Monteiro e às músicas! Com os cumprimentos do Portal Pimba!

26 março, 2007

Ainda o grande Cid!

Se antes disto, eu já era um grande admirador do Cid, depois ergui-o à condição de Deus!

19 março, 2007

Continua a saga da oferta de bom emprego a todos...

... os que estiverem interessados e que saibam fazer animação de rua, para as Festas do S. Tomé de Mira '2007, na 3ª semana do mês de Julho.
Interesados deixem contactos e propostas nos comments.
Não precisam de ter boa apresentação, tipo Jessica Alba, Maria Sharapova, Jennifer Lopez, Eva Longoria, Angelina Jolie, Teri Hatcher, Mischa Barton, Kirsten Dunst, etc... (note-se que esta lista foi só para tornar mais célebre este blog nos motores de busca, embora tema a visita de muitos tarados).

22 fevereiro, 2007

CANCELADO concerto dos The Musical Box em Sta. Maria da Feira

Foi cancelado o espectáculo anunciado para o europarque. Os bilhetes podem ser trocados para os espectáculos de Lisboa ou devolvidos contra reembolso.

09 fevereiro, 2007

Cid é rei!

José Cid - A Pouco e Pouco (Favas com Chouriço)



Este vídeo já não se encontra disponível no youtube. Pedimos desculpa pelo inconveniente. Logo que este video volte a estar disponível, eu ponho-o aqui.

07 fevereiro, 2007

Oferta de Emprego

A comissão de festas do S. Tomé de Mira 2007, na senda pela diversificação da oferta cultural ao povo, procura para a 3ª semana de Julho artistas de rua: músicos, jograis, malabaristas, engolidores/cuspidores de fogo, encantadores de serpentes, precussionistas, etc, etc, etc, e ainda mais uns etc. (M/F ou outros).
Caso esteja interessado, deixe contacto nos comments. O cachet é negociável, e a alimentação e convívio estão garantidissimos.

05 fevereiro, 2007

Musical Box

Como tinha anunciado antes, o grupo de tributo aos Genesis, The Musical Box, desloca-se de novo a Portugal, desta feita com o Selling England Tour. É em Sta. Maria da Feira, dia 28 de Fevereiro, no Europarque, e em Lisboa, na Aula Magna, dia 2 de Março. Como sempre, prometem tocar a música dos Genesis ao vivo, tal e qual foi tocada em 1973, e encenar exactamente o mesmo tipo de espectáculo que Gabriel e companhia montavam em palco. O preço dos bilhetes é que é pornográfico! 44 a 48 euros! Enfim... um dia não são dias e os verdadeiros nunca mais se vão reunir... então que venha a boa imitação. Lá nos encontramos.

26 janeiro, 2007

As Armas do Amor

De Sérgio Godinho, com arranjos de José Mário Branco, é uma excelente música sobre a problamática da SIDA. Mas encaixa que nem uma luva na questão da Despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez. Se o leitor tiver opurtunidade, ouça a música e reflicta.
Sobre a IVG, vide o meu humilde "manifesto" sobre o referendo, no Chapéu de Três Bicos, sob o título "Tons de cinzento".

03 janeiro, 2007

Balalaika!

Igreja Matriz de Mira. Acústica quase irrepreensível no lento vai-e-vem do burburinho do povo. De repente, começa um trinado suave mas tenso, misterioso, denso, embriagante, confortavel. Mais de uma dezena de jovens mãos de rapariga russa tangem as cordas de igual número de balalaikas. O ar enche-se aos poucos de uma experiência musical verdadeira, nova, única, original. Perdoe-me o entediado leitor na minha adjectivação, mas a inaudibilidade estéril deste texto nunca se poderia compensar à custa do vocabulário. É a magia da orquestra Silver Strings, de Leninegrado... ups... S. Petersburgo, composta por jovens russos que viajaram até cá de autopullman e que mesmo na ressaca de milhares de quilómetros na velha camioneta russa, tocaram maravilhosamente. Vieram mostrar à nossa pacatez meridional que a escola de Leste ainda está viva e recomenda-se, que a Música ainda é arte maior por aquelas bandas, e que a sua aprendizagem é considerada vital para o tecido da sociedade e da cultura. Depois de passarem por Bizet, Mussorgsky, Saint-Saenz ou um magnífico "Barcarolle" de Offenbach cantado em dueto por uma soprano angelical e uma contralto demoníaca e telúrica, esta peculiar orquestra mostrou todo o seu naipe em toda a sua classe pelas mais variadas obras. Eram as ja referidas balalaikas, um ginasta acordeão, uma percussão irrepreensível, com um fabuloso xilofonista... e a flauta... que flauta! Enfim, vale a pena andar atento pois existem na velha Rússia algumas destas excelentes orquestras que de quando em vez nos vêm visitar, partilhar connosco toda a sua beleza musical.
Como a entrada era livre, obriguei-me a comprar-lhes o último CD, "Without Borders", num belo digipack, com temas de estúdio e outros gravados ao vivo numa digressão pela Gália. Duas belas e jovens russas agradeceram-me em francês e eu lembrei-me, por instantes, da universalidade da música. Obrigado, Silver Strings.

15 dezembro, 2006

Fire at midnight

Não há mais pachorra para a musiquinha de natal que nos entra pelos ouvidos nas ruas, nas lojas, nos elevadores, na televisão... tudo sempre o mesmo, desde as velhíssimas interpretações de clássicos aos êxitos pop como os da Mariah Carey ou dos famigerados Wham. Juro que cada vez que ouço "Last Christmas / I send you my heart" ou "All I want for Christmas is you" dá-me vontade de perverter o espírito natalício e agredir o próprio Pai Natal com os cornos da rena! Toda esta audiorreia roufenha só me transforma o Natal em algo amorfo e consumista. Pois para mim o Natal nada tem a ver com as ruas cheias de gente e barulho e lojas e embrulhos e empurrões e notas de 100 a abanar em frente à caixa. Nada disso é a paz, nada disso inspira a reflexão e o conforto que nos devemos por estas alturas, para medir os nossos actos e relações de mais um ano passado. Já para não falar do aspecto religioso, que isso iria dar azo a muitos e muitos paragrafos a dissertar sobre hipocrisia e cinismo.
Natal é a lareira à meia noite, um belo copo de Wyskey (sim, com "ey" como se escreve na Irlanda, como se destila três vezes e se amadurece oito anos em casco como na Irlanda!) e a boa música que não nos ofende a inteligência nem os ouvidos.
Por isso, sempre que me perguntam qual a minha música de Natal preferida, eu não tenho dúvidas em eleger o "Christmas Album" dos Jethro Tull (2003).
Foi através desta fabulosa compilação de temas que Ian Anderson realizou, alguns da banda e outros, adaptações de clássicos de Natal, que eu encontrei a banda sonora perfeita para a época, e que já me acompanha há 3 natais. A flauta transversal de Ian Anderson é sublime na redefinição de uma nova roupagem para clássicos como Holy Herald ou God Rest Ye Mery Gentlemen. Os arranjos e o ritmo, sempre com a jazzística típica de Jethro Tull, fazem o resto, unindo os espíritos em torno da música. De resto, mesmo velhos clássicos da banda, como Fire at Midnight, Bourée ou Ring Out Solstice Bells assentam como uma luva na nova roupagem natalícia que os Tull lhes teceram. E a qualidade do som é magistral. Tudo soa timbricamente correcto, dinâmico, equilibrado.
Concelho: se não encontrarem este album, não se deixem levar pela normalidade do Natal. Ouçam boa música Celta ou, que raios!, Bach, Schubert... tanta coisa boa para ouvir! Dai paz aos vossos ouvidos este Natal!

12 dezembro, 2006

Meloteca

Este fabuloso site merece uma visita por quem se interessa por música.

MELOTECA

25 novembro, 2006

E ainda mais vinil

Foi só nos últimos anos que o interesse pelo vinil ressuscitou de forma mais notória. Várias ordens de factores poderão ter contribuído para esse acontecimento: a existência de células de cada vez maior qualidade a preços competitivos; gira-discos muito simples e funcionais mas extremamente competentes; jovens a procurar sonoridades antigas nas colecções dos pais e dos tios; recuperação de gira-discos antigos e avariados e uma certa insurgência contra o estado mercantilista editorial moderno e a sua panóplia de formatos, inimigos quer dos músicos, a quem interessa que o seu trabalho tenha um registo o mais próximo possível da forma como eles construíram a música, quer dos consumidores, que são servidos de gato por lebre.
Veja-se o exemplo dos CD's anti-cópia, muitos dos quais utilizavam erros introduzidos de propósito na matriz para tornar a reprodução possível apenas por alguns aparelhos, impossibilitando a ripagem para MP3, mas também a leitura em muitos leitores de DVD, CD-ROM, auto-rádios e obrigando os leitores de CD Audio a ter o dobro do trabalho na correcção de erros, o que piora e muito a qualidade do som original. Resumindo, o consumidor compra aquilo que é anunciado como um Compact Disc Digital Audio, insere-o no seu leitor de CD-ROM e o que é reproduzido é o conteúdo em ficheiros comprimidos, e não a matriz audio do CD, e quando insere o CD num leitor exclusivamente audio, a reprodução é feita à custa de muita compensação de erros.
Um disco de vinil, no entanto, quando bem gravado, contém toda a informação que precisamos ouvir. Quando bem lido, é capaz de debitar música como ela merece ser reproduzida!
Mas como é que funciona a leitura de discos de vinil? É simples: o disco tem um conjunto de pequenos furos microscópicos alinhados numa espiral de muitas e muitas voltas, desde a periferia até ao centro. Nesses sulcos - grooves - está contida a música em forma mecânica, ou seja, dependendo da extensão, profundidade, etc. de um groove, são reproduzidas todas as componentes musicais.
Uma célula é o aparelho electromecânico que lê os sulcos do vinil, no sentido horário e em espiral, quando este é posto a rodar a 33 rotações por minuto (RPM), quando se trata de um LP, ou a 45 RPM quando se trata de outra forma de disco (Single, Maxi, EP). A agulha ou estilete, na extremidade da célula, acenta nos sulcos e, à medida que estes vão passando com a rotação do disco, transmite a vibraçao dos sulcos a um conjunto de magneto/bobina.
Existem dois tipos de célula, de acordo com o movimento relativo do magneto e da bobina. As células MM (Moving Magnet) têm a bobina fixa e a agulha ligada ao magneto, enquanto que as células MC (Moving Coil) possuem o íman fixo e é a bobina que se move.
Em todo o caso, o resultado é idêntico: as vibraçoes mecânicas da agulha a passar nos sulcos são convertidas em impulsos eléctricos pelo movimento relativo bobina/magneto. Estes impulsos são transmitidos através de cabos para um amplificador especial, ou um circuíto integrado dentro de um amplificador que admita phono, de forma a que o sinal eléctrico seja igualizado para posterior amplificação pelos mesmos andares em que são amplificados um CD ou um tuner.
Para tudo isto funcionar correctamente, é necessário que o braço do giradiscos esteja calibrado, na dependência do contrapeso, para a pressão óptima da agulha definida pelo fabricante da célula.
Importantíssima é também a cadência da rotação. Um disco de vinil depende do tempo, muito mais que um CD, onde o tempo equivale não a um movimento rotativo mecânico mas sim à interpretação electrónica da amostragem. Como tal, o tempo tem que ser mantido a todo o custo, o que torna a estabilidade do movimento de rotação do prato essencial para a boa reprodução do disco. Por sua vez, esta estabilidade depende de um motor eléctrico, que tem que manter um passo certo, o que só pode ser garantido por uma boa fonte de alimentação. A vibração de todo o conjunto deve ser, também, o menor possível, dado que a mínima vibração de um gira-discos interfere com as vibrações que uma agulha produz na leitura dos grooves, deteriorando a música.
Com todo este jargão técnico, já deve o leitor estar desesperado, pelo que lhe peço as minhas mais sentidas desculpas. Mas a descrição não é debalde. Serve para mostrar que é no vinil que está a verdade da música, e que mesmo o tempo, o compasso, a cadência, estão lá verdadeiramente e não são, ao contrário do que se passa nos formatos digitais, uma ilusão.
Pois dizem os mais cépticos que não há nada mais exacto que os bits e os bites e os 1's e 0's de que se fazem os formatos digitais. Concordo. Tudo no digital é exacto, preciso, incivelmente colocado no sítio certo à custa de muito processamento. Principalmente no processamento do erro. E o erro, num CD, é tão bem tratado que, mesmo com pequenos riscos o disco continua a reproduzir (quase) igual! Um leitor de CD é tanto melhor quanto mais facilmente conseguir tratar o erro e discerni-lo daquilo que interessa: a informação musical.
De facto, o CD tem vantagens fabulosas sobre o vinil, e o SACD terá mais vantagens aínda, mas a qualidade da música reproduzida não se situa nessa lista de atributos. Pois a questão é muito simples: comparando um gira-discos a um leitor de CD do mesmo preço, o gira-discos, quando bem calibrado, soará sempre melhor. O facto é que, nas nossas casas, o CD substituíu o vinil com glória e qualidade, pois na maior parte dos casos, os nossos velhinhos gira-discos não souberam estar à altura. Faltou-lhes afinação, célula, braço, motor, tempo certo para destilar a magia do vinilo. E os nossos discos velhinos, riscados, sujos e gastos em nada ajudaram.
Ah! Falei em preço! O vil metal assombra sempre estas velhas questões! Assombrava, meus caros! Se um leitor de CD competente da gama de entrada de muitas marcas reconhecidas (ex. ROTEL, NAD, Cambridge, etc...) ultrapassa os 300 euros, quanto não custará um bom gira-discos? Não havia muitas opções de gira-discos de gama baixa que não fossem autênticas fraudes, electrodomésticos de plástico sem alma nem brio nem dignidade para as funções que lhes foram atribuídas! Os restantes leitores tinham preços astronómicos, muito além dos 600 euros de um Technics profissional (muito bom para DJ's, mediano para ouvir música em casa). Os gira-discos bons sempre foram muito caros.
O mercado, apenas neste aspecto, evoluíu para melhor. Democratizou-se no sentido de dar resposta àqueles que queriam ouvir os seus discos com a melhor qualidade possível, sem gastar muito dinheiro. Há já marcas que disponibilizam gira-discos formidáveis para os seus preços, extremamente competitivos. Veja-se, por exemplo, o ProJect Debut III, que já vem equipadinho com célula Ortophon, afinado e pronto a utilizar, com um preço que ronda os 240 euros. Garanto-vos que comparado com um daqueles bons leitores de CD de 300 euros, vai dar-vos vontade de atirar os CD's pela janela.
Nada mau para reproduzir sonhos, ahn?

18 novembro, 2006

Vinil Forever!

As guerras de formatos em registo audio só serviram para fazer aperfeiçoamentos mínimos nos registos digitais, chegados que estão ao limite das suas potencialidades. Nem CD, nem DVD-audio nem Super Audio CD (SACD) nem o proclamado Blue-Ray poderão fugir à sombra dos lasers a funcionar num ambiente extremamente instável a uns milímetros do suporte que roda a uma velocidade incrível e com movimentos de oscilação, nem aos mecanismos de correcção de erro (jitter) nem aos conversores digital-analógico (DAC). O facto é que os formatos digitais, embora práticos e com boa qualidade geral de gravação/reprodução, não vão evoluír mais. Já para não falar desse assassino da múscia que é o MP3, verdadeiro talhante de frequências, empilhador de informação...
É opinião geral, nos meios em que se movimentas as pessoas que gostam de música e de sons, que a sonoridade digital é fria, raramente consegue transcrever as subtilezas da música, dar "aquela" emoção às passagens mais dinâmicas, aquele calor à voz ou o timbre certo ao vibrar de uma corda de guitarra.
Falta algo!
Por isso, os audiófilos nunca se entusiasmaram em excesso pela venda dos seus gira-discos e dos LP's antigos quando, em 1983, o CD saíu para o mercado. Mesmo depois da primeira dezena de anos passados, quando a qualidade de gravação dos CD's e de reprodução aumentaram, por via de um refinamento de todo o processo electrónico e mecânico no tratamento do input e do output, os audiófilos abandonaram o vinil. Tinham razão. Assistimos agora ao regresso em glória do bom e velho LP. O formato caseiro que sobreviveu aos outros todos e continua, na medida do possível, a ser o mais acusticamente perfeito, talvez só suplantado pelos gravadores magnéticos profissionais de bobines.


Imagem: célula Sumiko Oyster a fazer a leitura de um LP.

Mas porquê esta resistência toda do vinil? O que faz o vinil ser melhor do que os outros formatos? Até porque deveria estar já morto e enterrado! Senão, vejamos:

Não é mais portátil - um LP é grande, metido num envelope quadradão; não se pode ler num leitor portátil pois um dos princípios mais importantes sobre a leitura do vinil é a estabilidade, a ausência de interferências mecânicas durante a leitura.

É mais frágil - parte com mais facilidade que um CD, suja-se com mais facilidade, risca com uma facilidade incrível, ganha electricidade estática e é passivel de se gastar com o tempo! (principalmente se lido com uma agulha montada num braço mal afinado).

Não é mais universal que um CD - os gira-discos escasseiam, não se encontram por aí à venda em qualquer superfície comercial; os discos idem-aspas; as novas edições que também gravam em vinil são pouquíssimas, se bem que muitas editoras já começaram a entrever um nicho de mercado em reflorescimento.

É mais caro e mais lento gravar em vinil que em CD - a gravação de vinil, ou seja, a prensagem, é um processo algo complexo quando comparado à gravação em série de milhares e milhares de CD's por uma editora; depois, qualquer um de nós grava em casa um CD virgem que custa menos que meio euro.

A boa leitura de vinil, com qualidade de reprodução, depende de uma série de factores difíceis de controlar: a boa qualidade da prensagem da gravação, a estabilidade do gira-discos, a qualidade de construção do gira-discos, o mecanismo de rotação (motor, correia, etc.) em bom estado e a manter um ritmo certissimo, a qualidade e afinação do braço, a inércia do prato, a qualidade e estado da célula e do estilete (a "agulha"), a qualidade e estado dos cabos, a pré-amplificação e amplificação e a tradução mecânica do som (colunas).

Se tudo isto estiver bem, um disco dará anos e anos de prazer de audição sem limites. Pois um disco de vinil é um verdadeiro "master". Nele estão inscritos mecanicamente todos os elementos da Música.

Ouçam e comparem. O próximo post voltará a abordar este assunto.