06 fevereiro, 2006

Droga de música... ou música de droga?

Um investigador da Faculdade de Psicologia do Porto afirma haver uma íntima relação entre diversos tipos de música com consumos de tipos de drogas. Referiu, como exemplo, as ligações Techno-Extasy ou Trance-Alucinogéneos.
Pergunto-me se aquilo de que se fala é mesmo música ou será um ambiente criado com recurso a muito pouca imaginação, conhecimento musical e suor, com o intuito de ajudar um negócio obscuro de milhões, que é a exploração da ignorância e da carneirice dos miudos pastilhentos.
No ano em que se comemoram os 250 anos do nascimento de Mozart, há que distinguir de uma vez por todas o que é música do que é artifício. Porque aqueles estilos de "música" não nascem de uma creatividade talentosa, treinada ou disciplinada. Não nascem do conceito de melodia nem de harmonia. Não existe quase nada de composição. São apenas a junção mais ou menos casual de partes pré-programadas.
Perdoem-me aqueles que investem neste tipo de música, ou que nela se tentam inspirar. Perdoem-me aqueles que, de uma forma mais meritória, tentam pegar neste tipo de música e construír algo de novo e válido.
Perdoem-me a intolerância nestas questões, mas não é uma questão de gostos, e sim uma questão social muito mais abrangente.
Música é cultura. Chamar música ao que não é, é anti-cultura. É a pura promoção da ignorância. Por sua vez, a ignorância afecta a facilidade de exploração do homem pelo homem.
Se as drogas têm uma ligação com a música, tal como têm com todas as artes, procuremo-la, por exemplo, no Lucy in the Sky with Diamonds (LSD) dos Beatles, ou na biografia de Jim Morrison, nas viagens alucinantes pelos intrumentos de Miles Davis, John Coltrane... Ou talvez ainda com a coincidência do apelo à destruição feito pelo Punk no final dos anos 70 com o crescimento da heroinomania. Os exemplos são infindáveis.
Porque de resto, não se fala de arte, mas de negócio. E dos sujos.

3 comentários:

horned_dog disse...

De facto as drogas aparecem muitas vezes associadas à música, ou fenómenos identificados como música (sem juízos de valor, neste meu comentário, tema muito controverso).

Mas não é exclusivo da música.

Escritores, pintores e outros mais recorreram às substâncias alteradoras de consciência, legais ou ilegais, como "muleta".

No que toca ao aproveitamento para negócios obscuros, suponho que não haverá por parte dos criadores. Mas provavelmente existe por parte dos que veiculam a música através de discotecas de fama duvidosa. Aí sim residirá o foco do problema.

No que toca à denominação de música, que é aplicada geralmente de forma muito vaga e ampla, ficará sempre ao cargo de quem escuta. Continua a reinar o "gostos não se discutem".

Admito que partilho a tua repulsa por esses géneros electrónicos, mas ao mesmo tempo aprecio algumas composições de inspiração electrónica e sintética, quando usada em doses certas. Ou como ferramenta de substituição de sonoridades instrumentais que os compositores não dominam.

Segundo o que recordo, reconheces por exemplo a virtude nas musicalidades electrónicas de Jamiroquai, por exemplo. Isto só para referir um exemplo muito simples e com muita visibilidade.

Quanto ao resto do que é apelidado de música, é muito complicado estabelecer limites ao conceito.

Sou como sabes um apreciador de um género musical (o Metal) que muitas vezes esquece quase por completo a harmonia e os rigores da composição, e opta pela forte veiculação de emoções através de sonoridade.

A música é um pouco de tudo isto. Mas acima de tudo é um veículo de transmissão de emoções, quer seja de harmonias clássicas bucólicas ou a energia incontida no Metal mais "rasgado".

Aí reside toda a sua beleza.

P.S.: Desculpa lá o comentário com quilómetros! E excelente ideia para um blog ;) Força aí

Slinkman disse...

Obrigado pelo comentário!
A arte é, naturalmente, uma actividade que ganhou muito com o estado translúcido do artista. Lembro-me, por exemplo, da "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carroll, que muitos estudiosos creem ter sido escrito sob efeito de alucinogénios, pois muitas das suas passagens retratam "trips" bastante comuns em consumidores de ácidos, como por exemplo atravessar espelhos, encolher ou aumentar de tamanho, etc...
Não é preciso ir muito longe: Mário de Sá-Carneiro era opiómano e alcoólico. O mesmo se disse de Pessoa, embora eu não acredite.

Para saber o que um criador daquele tipo de música sente, quando cria, quando compõe, precisava de estar na sua pele. E não excluo que haja bons músicos no género. Aliás, a esses eu pedi perdão. Mas os outros, que a única coisa que fazem é pegar num sample de um ritmo e usa-lo até à exaustão, com uma ou outra variação, o que pretendem eles?
Talvez seja o transe emocional pela música, a busca da espiritualidade perdida no êxodo africano.
Talvez não.
Há quem goste. Acho bem que os gostos sejam diversificados. E não podia concordar mais com a não discutibilidade dos gostos.
Digo sempre que "os gostos não se discutem, lamentam-se!"

A música é a linguagem universal.
Daqui por 250 anos, algum humano mais curioso vai ouvir uma gravação daquele tipo de música. Vai franzir o sobrolho da mesma forma que o fazemos quando ouvimos algo de muito estranho e demasiado primário vindo do passado. Pode gostar, adorar até. Mas sei que este humano curioso vai reconhecer Mozart. Basta alguém assobiar, como no filme do Milos Forman. Gostava de lá estar, no 500º aniversário de Mozart, que é imortal.

Longe de mim afastar a electrónica da música. Sou um apaixonado por circuitos. Têm já um papel importantíssimo na música. O exemplo de Jamiroquai é pródigo. Mas a composição de JK nada seria sem o ritmo, sem a síncope! Ouvir Jamiroquai faz-me pensar que o cérebro humano trabalha em semicolcheias. Ou que temos um pequenino James Brown dentro da cabeça a pisar-nos as circunvoluções da massa cinzenta...

A música é tudo isto. E é maravilhosa.

EmanuelCB disse...

Não é a música q leva à droga, por se ouvir x ou y não se começa a consumir. Há uma grande variedade de factores q o fazem, mas isso é outro assunto bem mais complexo.
Quanto ao género musical, tb n sou grande apreciador de musica electrónica mas pronto, são os meus gostos. Mas já agora aponto outro exemplo de quem utiliza e bem (na minha opinião) o electronico: Radiohead.
Abraço